Interpretação
CARLOS MACEDO (mendigo, Menino Augusto)
ELSA GALVÃO (mendiga, Carlota dos Reis)
FERNANDO GOMES (mendigo, Gregório Redondela, freira)
ISABEL RIBAS
(mendiga, prostituta, Carolina dos Reis, freira)
LUÍS PACHECO
(mendigo, prostituta, Manuel)
PAULA FONSECA (mendiga, prostituta, D. Leonor Botelho)
PEDRO PERNAS
(mendigo, Dr. Januário)
RUI RAPOSO (mendigo, prostituta, Anão dos Assobios)





Ficha Artística
Texto e Encenação
FERNANDO GOMES
Coreografia
VICTOR LINHARES

Figurinos
LUCÍLIA TELMO
Arranjos Musicias
FILIPE CARVALHEIRO
Direcção Vocal
FERNANDO LUÍS
Espaço Cenico e Design Gráfico
JORGE GALVÃO
Fotografia de Cartaz
PEDRO LEMON GARCIA
Fotografia de Cena
MANUELA JORGE
Desenho de Luz
LUÍS BALOLA / FERNANDO GOMES
Direcção de Produção
MANUELA JORGE
Adereços e Carpintaria
RUI FREITAS
Operação de Luz e Som
MANUELA JORGE
Assistência de Produção
JOANA FERREIRA / VANESSA OLIVEIRA


















Produção
KLÁSSIKUS

A Vida Trágica de Carlota, a filha da engomadeira
A partir do romance “Coisas Espantosas” de Camilo Castelo Branco

Coisas Espantosas
A partir do romance “Coisas Espantosas” de Camilo Castelo Branco, é recriada a história da desafortunada Carlota, num palco de teatro do burlesco, onde as personagens se desdobram, contam e cantam um drama de amor… e onde, inevitavelmente, não faltará também… o humor!
O enredo deste belo romance de Camilo Castelo Branco gravita em torno do trimónio Crime – Expiação – Felicidade, três elementos essenciais  e omnipresentes, no universo romanesco de Camilo.
“Coisas Espantosas”, o 16º romance do autor, saiu em primeira edição em 1862, mas os primeiros capítulos foram publicados em 1859, com o título “A Natureza das Coisas”. Quando, em 1861, um editor lhe pediu para escrever a sua autobiografia romanesca, Camilo retomou o enredo de 1859 e pensou dar-lhe um novo título “Os Miseráveis de Cá”, procurando assim atingir um duplo objectivo: aproveitar em benefício do livro a publicidade feita na época em Portugal aos “Miseráveis” de Victor Hugo e desafrontar-se pela pena – como costumava de resto fazer – dos miseráveis que o perseguiram no processo de adultério. A dinâmica da intriga impôs um desfecho incomum e o romance sairia com o título definitivo de “Coisas Espantosas”.

Lisboa do século XIX
Lisboa, no princípio do século XIX era uma cidade suja, desordenada e mal cheirosa que encantava os estrangeiros que nos visitavam, pela sua beleza e pitoresco e os decepcionava pelo aspecto caótico das suas ruas e o atraso em que vivia a sua população.
As ruas estavam, quase inteiramente, entregues ao povo miúdo que era o seu verdadeiro dono. Aguadeiros, moços de fretes, vendilhões dos mais diversos produtos e artigos, percorriam-nas de manhã à noite. Analfabeto e marginalizado, o mais insignificante acontecimento motivava um ajuntamento de basbaques que só dispersava à cacetada da municipal. A taberna funcionava como principal local de encontro entre as pessoas, onde se conheciam as últimas notícias. Até meados do século XIX, poucas foram as alterações que vieram afectar as condições de vida do povo e a fisionomia urbanística de Lisboa que continuava, em muitos aspectos, uma cidade quase medieval. Grande parte do povo de Lisboa vivia de esmolas.

1º ACTO
Carolina dos Reis era uma engomadeira competente e assim ganhava dinheiro para o seu sustento e da filha mas um dia começou a ver mal, e já quase cega, viu-se obrigada a abandonar a profissão! Carlota, a filha, na sua inocência de menina, brincava com bonecas e sonhava que havia de conhecer o pai mas um dia, apenas com 15 anitos, teve de substituir a mãe e abraçar a profissão de engomadeira! Carlota começou a engomar as camisas do Sr. Inácio Botelho, um viúvo endinheirado e pai de um menino com 9 anos, que ela ajudou a tratar como se de um filho se tratasse. Mas o viúvo não conseguiu resistir aos encantos da jovem engomadeira e Carlota deixa-se arrastar para o leito do patrão! Um dia conheceu Manuel, um rapaz com problemas económicos e também com uma grande necessidade de afecto! Mas a “Morte” bate à porta da casa de Inácio Botelho! A grande tragédia vai começar e vai durar 10 anos!

2º ACTO
Estamos no século XIX, continuava a ser impressionante o número e condição dos mendigos de Lisboa. Mendigavam cegos, aleijados, velhos, doentes, anormais, desempregados. Alguns mendigos, em troca duma esmola, cantavam e contavam, pelas ruas e pelas feiras, histórias comoventes que relatavam amores não correspondidos ou crimes recentes. Um dia ao saberem duma engomadeira que ficou cega, duma tal Carlota que esteve anos internada num manicómio, dum criminoso que teve de abandonar o país e acabou por regressar riquíssimo, dum tal Gregório Redondela que milagrosamente escapou à morte e muitos outros espantosos acontecimentos, os mendigos juntaram-se e passaram a noite inteira a falar destas Coisas Espantosas e chegaram à conclusão de que tinham ali uma boa história, coisa comovente que eles haviam de gostar de contar e que o povo havia de gostar de ver!!

As personagens
Menino Augusto
Carlota dos Reis
Gregório Redondela
Carolina dos Reis
Manuel
D. Leonor Botelho
Dr. Januário
Anão dos Assobios
Mendigos
Prostitutas

Freiras

Teatro Há.de.Ver, em Lisboa
Carreira: 11 de Julho a 1 de Setembro, 2002
Digressões efectuadas
15 de Novembro, 2002 – Fórum Cultural do Seixal, XIX encontros de Teatro do Seixal
Espectáculo apoiado pelo Ministério da Cultura / Instituto da Artes